Dorival fabrica 5,3 milhões de balões ao dia

A ideia surgiu em uma mesa de bar.

 

“Por que a gente não fabrica balões?”

 

Foi um amigo que vendia produtos do ramo que disse.

 

Dorival confessa: até ali, só conhecia os balões que enfeitavam os aniversários das filhas.

 

Mas o amigo fez boa propaganda. Garantiu que exigia pouco investimento, dava muito lucro, era fácil de fazer e de vender: o negócio perfeito.

 

Hoje, 41 anos depois, dono de uma das maiores fábricas de balões do Brasil, Dorival Luiz Balbino chegou a uma conclusão:

 

– O investimento é alto, o lucro não é tão grande assim, não é fácil de fazer e nem de vender. Requer muita dedicação.

 

Nem por um segundo se arrepende, porém.

 

– Me sinto muito realizado. Eu sonhava, mas jamais poderia imaginar que a empresa chegaria onde chegou.

 

São 5,3 milhões de balões coloridos produzidos por dia na indústria às margens da avenida Brasil, em Ribeirão Preto.

 

Por ano, quase dois bilhões de balões produzidos pelo Dorival chegam às comemorações de todo Brasil, Paraguai,

Uruguai e Bolívia.

 

– O balão entra em todos os eventos: inauguração, comemoração, casamento. Sem balão, é evento social. Com balão, vira festa.

 

Dorival construiu seu negócio de vida em cima de um produto colorido, cintilante e diretamente ligado à alegria.

 

– Ainda existe resistência e a gente não está conseguindo entrar em velório. Mas qualquer hora vai ter balão roxo nessas situações também!

 

Entre brincadeiras, revela o empreendedorismo.

 

Não se contenta com a alegria. Quer espalhar balões a todo sentimento.

Aos 13 anos, Dorival teve seu primeiro trabalho, como balconista de um bar.

 

Conta que, desde então, nunca mais deixou de trabalhar. Foi office boy e depois dos 20 anos começou a atuar como representante comercial.

 

Ficou 14 anos em uma das representações, sendo que nos últimos 11 somava esse trabalho à fábrica de balões.

 

– Eu só deixei meu emprego quando tive certeza de que a fábrica poderia me absorver. Não se pode montar uma empresa pensando que vai viver disso no primeiro mês.

 

Ribeirão-pretano desde o nascimento, filho de mãe dona de casa e pai operário, diz que sempre foi “empreendedor”.

 

Nunca usou o diploma de Direito e o registro da OAB que conquistou. Quis seguir pela área comercial.

 

A entrevista tem como cenário a fábrica de balões.

 

Na mesa de trabalho, as fotos das filhas, das netas e da esposa ocupam espaço.

 

O chiado das máquinas é som constante, já que a sala do dono fica dentro do galpão industrial, separada por uma parede e uma porta.

 

Viajou de Ribeirão a Jundiaí, de Jundiaí a São Paulo em busca de alguém que pudesse auxiliar na montagem da fábrica – já que ele mesmo nada conhecia do negócio.

 

Em São Paulo, disseram que o tal “alguém” estava em Mococa. E lá foi Dorival – com seu sócio na época – encontrar o Joaquim, que sabia fazer balão e topou participar.

 

Diz que, nesse começo, não tinham capital algum e toda a produção era manual.

 

Alugaram um salão pequeno, contrataram alguns funcionários e começaram, em 1977, a produção dos balões Pic Pic da Riberball.

 

Dorival conta que dormia no caminhão para vender balões em São Paulo.

 

Foi só por volta de 82, 83 que conseguiram montar a primeira máquina e começaram a ampliar a produção.

 

– A gente não tinha capital e nem espaço para montar uma máquina. São 25 metros de comprimento.

 

Depois da primeira, foram ampliando o número.

 

Hoje, são mais de 350 funcionários e 25 máquinas, que funcionam 24 horas por dia, em três turnos.

 

Em 1987, quando a fábrica completava sua primeira década, Dorival comprou as partes dos seus dois sócios para tocar o negócio sozinho.

 

– Eu coloquei tudo que eu podia de força e pensei: ou cresce, ou fecha.

 

Como os balões, a empresa foi em direção ao alto.

 

Dorival fala do seu negócio com peito estufado, voz firme e sem economizar elogios.

 

Para a comemoração de quatro décadas da empresa, teve festa de quatro dias para os funcionários.

 

– Não é todo dia que se faz 40 anos. Eu já sei que posso produzir com pessoas e sem máquinas. Mas não produzo com máquinas e sem pessoas. A gente não faz nada sozinho.

Dorival tem 68 anos e nenhuma vontade de parar.

 

Pelo contrário. Neste ano, foi eleito presidente da Acirp (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto) e diz que os dias se desdobram em reuniões e afazeres.

 

Não reclama, entretanto.

 

– Vai valer a pena. Estou prestando serviço para uma comunidade que me deu tudo que eu tenho.

 

Quando fala do cenário político atual, franze a testa de preocupação e nervoso.

 

Reclama dos altos impostos, lamenta o desemprego que – na sua opinião – leva à criminalidade, cobra políticas públicas.

 

Mas não deixa o otimismo ir embora.

 

– Eu não vou parar de investir. Se o mercado reagir, nós estamos preparados para atender.

 

Diz que, em meio à crise econômica e queda nas vendas, não demitiu um funcionário.

 

– Eu posso ganhar menos. Mas para o funcionário, o emprego é tudo na vida.

 

Para o futuro, quer continuar no mesmo caminho: em direção ao alto, com seu negócio colorido e cintilante.

 

– Eu não saberia levantar da cama e pensar: o que vou fazer hoje? Nada! Para mim, é um tédio muito grande!

 

A ideia surgiu em uma mesa de bar.

 

E os balões de Dorival voaram mundo afora: sempre ao alto, de mãos dadas com a alegria de uma boa festa.

 
 
 
 
 
Crédito da foto de destaque: divulgação
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