Drones: eles estão por toda parte.

Aplicado nas mais diversas áreas, os vants ou drones movimentam um mercado global estimado em mais de US$ 127 bilhões; no Brasil, só em 2016, o setor faturou mais de R$ 200 milhões.

Com alta tecnologia embarcada, os veículos aéreos não tripulados — vants ou drones, como ficaram mais conhecidos —, estão por toda parte. Eles são multifuncionais e o uso varia de acordo com a necessidade, que abrange desde o fornecimento de dados em tempo real sobre o andamento de uma obra, passando pelo combate aos Aedes aegypti, até a cobertura de eventos e o mapeamento de áreas agrícolas. De acordo com pesquisa da PricewaterhouseCoopers (PWC), esses equipamentos, controlados remotamente, movimentam um mercado global estimado em mais de 127 bilhões de dólares. O segmento da infraestrutura lidera a demanda pela tecnologia (US$ 45,2 bi), seguido da agricultura (US$ 32,4 bi).

Desenvolvidos nos mais variados formatos, tamanhos e direcionamentos, os vants já transformaram o Brasil em um importante centro emergente de pesquisa, fabricação e utilização. Das 44 indústrias desses aparelhos na América Latina, 15 estão no país, além de outras cinco empresas voltadas especificamente para o desenvolvimento de sistemas, segundo a Associação Internacional de Veículos Não Tripulados (AUVSI) e a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O uso demanda de regras para a obtenção e a operação do aparelho, restrição de uso do espaço aéreo, treinamento dos pilotos, além da coleta, processamento e compartilhamento dos dados. No Brasil, segue-se as regras da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) — para os assuntos ligados ao uso de radiofrequências —, do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) — que regula as licenças de voo e uso do espaço aéreo em território nacional —, e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) — em relação à certificação e à operação.

Devido a alto desempenho, grandes empresas, órgãos públicos e de pesquisa estão aderindo a esses equipamentos, que oferecem a oportunidade de redução de custos e de aumento de produtividade. Mesmo em momentos de crise econômica, empresas como Raízen, Vale, Syngenta, Basf, Bayer, Coca-Cola, entre outras, renderam-se a esses robôs voadores. O mercado está em plena expansão, abrindo as portas para novos investidores, como os empresários Valdir e Marcelo Bernardo, respectivamente, pai e filho, que, há dois anos, abriram a TBI Imagens Aéreas.

Atuando nas áreas de imóveis, construção civil, terraplanagem e, em breve, também na cobertura de eventos, eles oferecem filmagem e fotografia com resolução full HD digital 4K, qualidade permitida a partir da aquisição de vants modelos Phantom 1 e 2 e de uma estação de controle, que é basicamente constituída de um computador com software específico para planejar e executar o trabalho desejado. “Nosso equipamento fica bem estável no ar, o que permite que façamos imagens de alta qualidade e definição em até 120 metros de altura. A legislação permite que os aparelhos subam até um quilômetro de altitude”, observam Valdir e Marcelo.

 

Visão espacial

No setor imobiliário, o uso de drones vem ganhando espaço, pois dá uma visão espacial do empreendimento, permitindo que o cliente enxergue os espaços do imóvel de cima, os arredores e a localização mais precisa. “Para a venda de grandes terrenos e áreas, o drone é essencial para a visualização completa do futuro comprador. No caso de lançamentos imobiliários, o equipamento permite mostrar a vista exata do apartamento e o andamento das obras dos empreendimentos para os compradores”, explica Cacaio Fortes Guimarães, diretor administrativo da Fortes Guimarães. 
Da primeira filmagem, realizada em janeiro de 2015, já são dez vídeos para imóveis de alto padrão e com exclusividade de venda na imobiliária e de algumas áreas também para mostrar às incorporadoras que pretendem desenvolver projetos na cidade. O benefício maior, segundo Cacaio, foi o aumento do acesso no site, já que a tecnologia despertou a curiosidade dos clientes, inclusive dos que não moram em Ribeirão Preto. “O conteúdo com vídeo é mais atrativo do que a imagem e ajudou a fecharmos a venda de uma grande área para uma incorporadora, por exemplo”, aponta o empresário, que realiza esse trabalho por meio de uma empresa parceira. 

 


 

Buscando sempre estar atualizado com as novas tecnologias, Carlos Marin, diretor de Marketing da Perplan, revela que a empresa utiliza os drones há, aproximadamente, dois anos, para captar imagens destinadas à produção de diversos materiais, entre eles fotografias e filmes. “O resultado final pode ser visto nos lançamentos de produtos, nas imagens para sinalizar os atrativos de uma região onde será erguido um empreendimento, no avanço de obras, enfim, são diversas as possibilidades do equipamento no segmento em que a Perplan atua”, pontua Carlos. 

A empresa trabalha com fornecedores que possuem drones, responsáveis por toda a operação dos aparelhos. Carlos explica, que antes da captação das imagens, é feita uma reunião para o planejamento das tarefas a serem executadas. “Esse passo é importante para que todo o processo esteja adequado ao que desejamos transmitir em nossos materiais, a nossos vários públicos-alvo. Antes, sem o drone, era necessário locar um helicóptero e contratar fotógrafos especializados em imagens aéreas. Essa nova tecnologia é ideal e atende às expectativas da empresa”, reconhece o diretor, que pretende expandir esse trabalho na divulgação de novos empreendimentos.

 

Monitoramento ambiental

Os vants também vêm sendo adotados na área de segurança pública e privada. Eles podem ser usados na vigilância, mas também em investigações, perícias, controle de tráfego, além de outros serviços. Uma das pioneiras a usar a tecnologia, em 2010, foi a Polícia Ambiental de São Paulo, que criou os Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas (RPAS) para monitoramento. O 2º Pelotão de Araraquara  também aderiu à ideia. Atualmente, dispõe de seis aeronaves, sendo que quatro delas já estão homologadas pela Anac e duas estão em processo de homologação, de acordo com o comandante da corporação, 1º tenente Leandro José Oliveira.

Hoje, segundo o comandante, já existem atividades com drones em andamento na Secretaria do Meio Ambiente, na Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) e em ações de segurança pública em Barra Bonita, nas quais as RPAS estão sendo empregadas no combate à criminalidade. “Desta forma, conseguimos agilidade na obtenção de informações, na velocidade de monitoramento e na visualização de grandes áreas e objetos, até então dificultosa à ação policial, como em casas e em propriedades fechadas. O Comando está estruturando o desenvolvimento da fiscalização com RPAS em todo o Estado de São Paulo, incluindo Ribeirão Preto e outros 20 municípios da área do 2º Pelotão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No setor privado, Alexandre Silva, diretor comercial do Grupo Impacto, aponta que iniciaram os testes no fim de 2015 e, em 2016, estavam em processo de consolidação da tecnologia. Para isso, estão utilizando os modelos Phantom 2 e 3 e o Inspire 1. “Estamos em monitoramento, aguardando a regulamentação da Anac para adequar os equipamentos e os procedimentos”, aponta o diretor. A tecnologia, segundo ele, permite grande eficiência no processo de mapeamento de risco das áreas monitoradas, além de melhorar a aplicação das rotinas de segurança dos projetos. 

Mesmo com pouco tempo de uso no segmento, Alexandre afirma que esse recurso representa extrema evolução para o setor de segurança patrimonial, pois pode ser adotado em condomínios, em empresas, em galpões, entre outros espaços. O diretor salienta que o vant é uma das três bases do tripé da solução de segurança patrimonial, composto por tecnologia, processos e pessoas. Juntos, os três elementos possibilitam uma análise mais crítica e expansiva da área a ser monitorada e segurada, um estudo mais aprofundado da melhor estratégia a ser adotada com a aplicação de procedimentos que maximizem a qualidade dos serviços oferecidos, além de estarem 100% integrados com tudo o que a empresa oferece.

 

Ferramenta  no campo

Adotando novas tecnologias como aliadas na redução de custos e no aumento de produtividade, os drones também estão presentes no campo, onde contribuem com várias atividades, como o mapeamento de glebas de terra, visualizando tanto o perímetro da área quanto o relevo. Também podem ser utilizados para contagem de plantas, detecção de falhas no plantio, principalmente, na cultura da cana-de-açúcar, diagnóstico de pragas, doenças, plantas invasoras e das condições nutricionais que a cultura se encontra.

Pesquisador e professor do departamento de Engenharia Rural da Unesp de Jaboticabal, David Luciano Rosalen ressalta que a maior vantagem desse sistema é a obtenção de imagens em qualquer fase do ciclo das culturas, isto é, pode-se realizar o voo no momento que desejado, ao contrário das imagens obtidas via satélite, que ficam condicionadas à órbita desses aparelhos. “Como as imagens são tomadas mais próximas à superfície terrestre, a interferência de nuvens é menor e a resolução é melhor”, pontua David.

O professor explica que, na agricultura de precisão, o sistema pode auxiliar na elaboração de mapas de plantio e de aplicação de taxa variada e na aplicação localizada de defensivos, colaborando na diminuição de custos e proporcionando menor impacto ambiental, pois o produtor passa a utilizar menor quantidade de produto. Segundo David, o mercado tem atraído muitos investidores e alguns fabricantes já se instalaram na região, como a AGX Tecnologia e a Xmobots, em Ribeirão Preto, e a GeoAgri, em São Carlos.

Funcionando como um olhar mais apurado do produtor no campo, os aparelhos ajudam a localizar deficiências no plantio a tempo de correção, com muito mais agilidade e eficiência, como explica Lúcio Jorge, que coordena as pesquisas com drones na Embrapa Instrumentação, com sede em São Carlos. As fotografias feitas pelo drones são utilizadas para formar um mapa da lavoura. Lúcio aponta, porém, que a falta de regras específicas para uso, dificultam o avanço da tecnologia. 

Para operar um drone, o produtor ou a empresa interessada deve solicitar o Certificado de Autorização de Voo Experimental (Cave), que permite operações de testes, sem fins lucrativos e somente em áreas rurais. A regulamentação específica para operação de veículo aéreo não tripulado no Brasil ainda está em processo de elaboração pela Anac. 

 

 

Regulamentação da operação

A Anac explica que está trabalhando na regulamentação da operação dos vants e as regras devem ser publicadas em breve. A Agência criou uma página exclusiva no seu site para reunir as principais informações sobre a utilização, seja para lazer ou comércio. Na página, é possível encontrar o item “perguntas e repostas” com as principais dúvidas. A Secretaria de Aviação Civil (SAC), agora vinculada ao Ministério de Transportes, Portos e Aviação Civil, também elaborou uma página com informações sobre o tema, inclusive com infográficos para obtenção das autorizações, que pode ser acessada no site www.aviacao.gov.br. A Agência ressalta que a utilização de uma aeronave sem autorização ou fora das regulamentações vigentes está sujeita às penalidades previstas na própria Lei 7.565/86, do Código Brasileiro de Aeronáutica. O infrator está, ainda, sujeito a ações de responsabilidade civil e penal. As operações estão divididas em três categorias:

Aeromodelismo: uma forma recreativa de uso do aparelho que deve respeitar a restrição de não operar nas zonas de aproximação e decolagem de aeródromos e nunca deve ultrapassar altura superior a 120 metros (400 pés), mantendo o equipamento sempre ao alcance da visão do piloto.

Operações experimentais: aquelas que não são certificadas pela Anac, mas são utilizadas, geralmente, para pesquisas e desenvolvimento. O uso deve ser autorizado junto aos órgãos competentes, como a própria Agência e o Decea.

Operações não-experimentais: liberadas para filmagens de eventos, serviços fotográficos, vigilância, inspeção e uso comercial em geral, está em fase de construção pela Agência e deverá ser submetida ao processo de audiência pública em breve.

 

 

Confira alguns modelos

Escorpião: pequeno, ele pode ser lançado em direção a um furacão, por exemplo, e assim, coletar várias informações, como velocidade e direção que está se movendo.

Quadricóptero Dji Phantom Fc40: pode ser encontrado com câmera e também GPS. É usado, no geral, para coletar imagens.

Quadricóptero: usado em sets de filmagens profissionais, produções de vídeos, shows de TV e jornalismo
Drone de reconhecimento: é usado para reconhecimento, por exemplo, no Afeganistão, por tropas britânicas. Parece um brinquedo, mas tem importância militar aplicada.

Octocoptero: semelhante aos quadcópteros, pode carregar câmeras profissionais e fazer imagens específicas e com qualidade profissional.

A.R. Quadcóptero: pode ser comando por um smartphone.

Predator: foi a primeira aeronave não tripulada a realizar ataques ao Afeganistão, equipado com mísseis de precisão. Chega a 222 km/h e é muito utilizado até hoje.

MQ-9 Reaper: semelhante ao Predator, foi lançado na mesma época, em 2001, equipado com inúmeras armas de poder fatal.

Predator Avenger: mais veloz na comunicação com a base e na velocidade máxima (pode atingir 740 km/h).
X-47B: pertence à Marinha americana e é o drone mais rápido que se tem informações, podendo voar acima da velocidade do som (1.224 km/h)

Heron: criado, inicialmente, para reconhecer campos de batalha e vigiar determinados perímetros. Chega a 207 km/h.

 

 


 

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Marcelo e Valdir aproveitaram a oportunidade do mercado que está em plena expansão.

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“O planejamento das tarefas a serem executadas é essencial”, avalia Carlos

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“O drone permite que o cliente enxergue todos os espaços do imóvel”, afirma Cacaio

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“Conseguimos agilidade no monitoramento e na obtenção de informações, até então dificultosa à ação policial”, frisa Leandro. Foto: Ibraim Leão

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“O drone permite acompanharmos todas as fases do ciclo das culturas”, avalia David

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“Drone melhora a aplicação das rotinas de segurança de nossos projetos”, afirma Alexandre

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